TRANSPORTE AÉREO DE CARGAS NO BRASIL

19.09.18 - 16:34
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O presente estudo objetiva discutir a importância do modal aéreo no transporte de cargas. Para tanto, como metodologia emprega a pesquisa bibliográfica em livros e artigos que discutem o tema em análise. Foi visto que no transporte de cargas, o modal aéreo é pouco empregado no Brasil diferentemente do que ocorre em países desenvolvidos em que esse modal concorre com o modal ferroviário. Ao final do estudo concluiu-se que a escolha do modal empregado no transporte de cargas depende do tipo de carga que será transportada, seu valor e a urgência que se tem para que ela chegue ao seu destino. O transporte aéreo se mostra viável no transporte de alguns produtos, mas não se mostra viável no transporte da grande maioria dos produtos.

1 – INTRODUÇÃO

A logística deve ser especialmente planejada em caso de transporte de produtos perecíveis e de elevado valor unitário, pois, em geral, lida com produtos de alto custo ou frágeis. Por isso, a importância de ter um bom entendimento de todo o processo logístico para que o produto possa ser repassado ao consumidor final com um preço competitivo e em um tempo otimizado.

O transporte aéreo constitui-se a principal escolha quando se considera mercadorias com alto valor agregado e que demandam agilidade e rapidez. Todavia, a estrutura e a logística oferecida em terra é um fator relevante à eficiência desse meio de transporte. A questão que norteia este estudo é: em que circunstâncias e para o transporte de quais produtos, o transporte aéreo se mostra mais vantajoso? Assim, o presente estudo objetiva discutir a importância do modal aéreo no transporte de cargas. Com o intento de se descrever o modal aéreo e a infraestrutura aeroportuária brasileira, o mesmo será traçado demonstrando as vantagens e desvantagens para o transporte de carga com relação aos demais modais. Para a realização dessa pesquisa optou-se pela revisão de literatura em livros e artigos que discutem o tema em análise.

2 – LOGÍSTICA

A Logística tem seu foco no controle do fluxo de informações, produtos ou serviços, desde o local de origem até seu consumo. Encontra-se presente em todas as fases de entrega de um produto/serviço ao cliente, podendo, o que faz com que sua importância seja estratégica no mundo empresarial (MONTANARI et al., 2008). A pretensão da Logística, para Ballou (1993), é reduzir o hiato entre o que é produzido e a demanda, de forma que os clientes tenham ao alcance bens e serviços sempre que quiserem, e na condição física que desejarem. Assim, percebe-se que muitas das exigências feitas pelos clientes, atualmente, requerem obrigatoriamente alguma atividade logística, que será melhor explicada a seguir por meio da análise de seu conceito, componentes e evolução histórica, com ênfase no gerenciamento de transporte e nível de serviço logístico. A logística direta é um problema generalizado em todo o mundo, especialmente em empresas usadas como estratégia competitiva no mercado. Atualmente, há aqueles que ainda associam as lojas de departamento de logística para fábricas e transporte de matérias-primas para o local de compra ou consumidores finais. Muito mais do que um transporte e armazenamento de mercadorias simples, a logística é a área da administração responsável pela gestão de todo o fluxo de materiais de entrada na empresa, planejamento de produção, armazenamento, transporte e distribuição para o cliente, tentando satisfazer suas necessidades com excelência.

Conforme explica Carvalho (2006), a atividade logística referia-se à movimentação e arranjo de tropas, armamentos, artilharias e munições para diversos locais, mesmo que em curto espaço de tempo e condições inadequadas. No cotidiano das civilizações antigas, as dificuldades na movimentação das mercadorias e a aquisição das mesmas, inviabilizavam qualquer tentativa de comércio mais lucrativo. Mesmo que em área com abundância de alimentos e bens de consumo, tais itens eram dificilmente comercializados por causa da localização dispersa, tendo como fator problemático a sua disponibilidade em apenas algumas épocas do ano. Muitas vezes as mercadorias deviam ser consumidas imediatamente, ou transportadas para vários locais até o momento de seu armazenamento final. Segundo Christopher (1999), essas limitações eram causadas pela não existência de um sistema de transporte bem como de armazenagem eficientes e, deste modo, os indivíduos eram obrigados a consumir apenas o que poderiam transportar, além de armazenarem mercadorias perecíveis de modo inadequado e por longos períodos. Deste modo, as pessoas eram obrigadas a fixarem residência próxima aos centros produtivos e consumirem apenas uma pequena parte das mercadorias a que tinham acesso. Durante a Segunda Guerra Mundial a logística era empregada no transporte maciço rodoviário. Após o término da Segunda Guerra Mundial, as sociedades empresárias passaram a perceber a importância de um departamento de logística, visto que a demanda por produtos e serviços crescia em ritmo acelerado. Ao fim dos anos de 1960, as empresas passaram a ter uma preocupação maior com a satisfação do cliente. Nos anos 90 passou-se a falar em logística no país com o evento do “custo Brasil” e na percepção da vantagem competitiva identificada pelos empresários. A partir de então, vislumbrou-se na logística uma matéria ideal para obtenção de lucro como consequência da diminuição dos custos com transporte, localização e estoque de produtos. A logística vem, nos últimos anos, passando por diversas mudanças sendo matéria indispensável nas práticas empresarias, em busca da qualidade, eficiência e eficácia da cadeia produtiva integrada, atuando no Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos (SCM – Supply Chain Management). Pozo (2010) define que a cadeia de suprimento é composta por seis elementos básicos, quais sejam: 1) Produção, com foco naquilo que o cliente busca e na demanda de mercado; 2) Fornecedor, que a empresa deve selecionar considerando a forma e o local onde serão produzidos os bens, e escolhendo os fornecedores que reúnem condições de atender de maneira econômica e eficiente; 3) Estoque, buscando equilibrar um estoque maior, que possui um elevado custo de organização, e um estoque reduzido ou inexistente que, igualmente, pode obstar que a demanda de mercado seja atendida; 4) Localização da

indústria, também dependente da demanda e satisfação dos clientes; 5) Transporte, tendo em vista que aproximadamente 30% do custo inerente a um produto refere-se ao custo com transporte; e 6) Informação, adquiridas internamente por meios próprios da empresa e através de seus consumidores finais com vistas a melhorar a gestão da cadeia de suprimentos. Rodrigo de Alvarenga Rosa (2010) descreve a logística a ser o produto certo (demandado) na hora exata (momento em que surgiu a demanda).

2.2 LOGÍSTICA INTERNACIONAL

A Logística Internacional é uma ferramenta de gestão moderna que atualmente é globalizada e pode assegurar a competitividade das corporações ao processo de abertura de mercados e formações de blocos econômicos e faz com que o paradigma pós-industrial se desenvolva facilmente e agilmente. Devido ao comércio mundial, a Logística tornou-se um diferencial estratégico tanto para organizações e para empresas multinacionais, O que torna a logística uma ferramenta para planejar, implementar e controlar de forma eficiente o fluxo e o armazenamento de produtos objetivando atender aos requisitos demandados pelo cliente. Conforme pontuado por Guedes (2007, p.27), a gestão pode ser dividida em três partes:

a) Conceitos da Logística e fluxos;

b) A Logística como ferramenta competitiva, modais utilizados, unitização e tipos de equipamentos;

c) Análise de uma cadeia Logística Internacional e estratégias para torná-la eficiente com redução em seus fluxos.

Desde a sua existência o mercado internacional começou a gerar mais lucro e com isso gerou empregabilidade em vários países, tornando mundialmente conhecida e utilizada. A crescente disseminação da Internet passou a requerer a implementação efetiva da Logística direcionada a este novo mercado, observando-se consequentemente a revolução da TI e exigências cada vez maiores no que tange ao desempenho da distribuição devido aos movimentos preconizados pela produção enxuta e Just in Time. Embora esteja bastante consolidado nas organizações produtivas dos países mais desenvolvidos em um nível conceitual quanto a sua aplicação, em alguns países limita-se a movimentação de estoques e logística interna.

2.3 GERENCIAMENTO DO TRANSPORTE

Além de ser de grande importância para as cadeias de suprimentos e distribuição, o transporte corresponde a uma parcela significativa dos custos das operações logísticas. Um bom planejamento dos modais de transporte pode reduzir custos, fazer com que os produtos tenham maior qualidade e tornar mais amplo o nível de serviço, podendo, outrossim, melhorar a posição estratégica da empresa. Um sistema de transporte eficaz tem o potencial de melhorar a competitividade dos produtos nacionais no mercado externo. Ballou (2006) afirma que é possível identificar o desenvolvimento de uma nação por intermédio do seu sistema de transporte. A melhoria desse serviço pode mudar toda uma economia tornando-a mais competitiva e mais próxima das nações mais desenvolvidas. Mais pormenorizadamente o autor afirma que um sistema de transporte eficiente e de custo acessível contribui para que a empresa ganhe em competitividade no mercado, eleve as economias de escala na atividade produtiva e diminua os preços dos produtos (BALLOU, 2006). Os chamados modais de transporte são divididos em cinco tipos básicos, cada um com suas características específicas, custos e restrições: ferroviário, aéreo, aquaviário, dutoviário e rodoviário. É possível também a utilização de mais de um modal. Esse tipo de serviço é chamado de transporte intermodal, ou multimodal.

3 TRANSPORTE AÉREO DE CARGAS

O Modal Aéreo é o mais recente dos modais de transporte e, conforme Keedi (2011, p.42), “surgiu no inicio do século XX, a partir de experiência iniciadas no século anterior”. O transporte aeroviário tem tido uma demanda crescente de usuários, embora o seu frete seja significativamente mais elevado que o correspondente rodoviário. Em compensação, seu deslocamento porta a porta1, pode ser bastante reduzido, abrindo um caminho para esta modalidade, principalmente no transporte de grandes distâncias. Este tipo de transporte é utilizado principalmente nos transportes de cargas de alto valor unitário (artigos eletrônicos, relógios, alta moda etc.) e perecíveis (flores, frutas nobres,medicamentos etc.). Como exemplos deste meio de transporte estão os aviões dedicados e aviões de linha. Segundo Ballou (1993, p. 129),

[…] no modo aéreo existem os serviços regulares, contratuais e próprios. O serviço aéreo é oferecido em algum dos sete tipos: linhas-tronco domésticas regulares, cargueiras (somente cargas), locais (principais rotas e centros menos populosos, passageiros e cargas), suplementares (charters, não tem programação regular), regionais (preenchem rotas abandonadas pelas domésticas, aviões menores), táxi aéreo (cargas e passageiros entre centros da cidade e grandes aeroportos) e internacionais (cargas e passageiros).

As vantagens que podem ser destacadas para a modalidade aérea são: em termos de velocidade, a modalidade aérea é a mais veloz. Considerando o tempo gasto com os serviços de entrega, a modalidade aérea é vantajosa para distâncias médias e longas. Além da velocidade, a segurança e comodidade também são fatores que se destacam na modalidade aeroviária. O transporte aeroviário é o que tem custo mais elevado em relação aos outros modais. Seu custo fixo é alto (aeronaves, manuseio e sistemas de carga), bem como seu custo variável, apresenta alto custo de combustível, mão de obra, manutenção, etc. Devido ao maior custo de transporte é mais adequada para o transporte de mercadorias de alto valor agregado e produtos perecíveis, conforme Calabrezi (2005, p.36), “sendo também uma das desvantagens o custo de frete, tempos de coleta e entrega manuseio no solo e dimensões físicas dos porões de transporte dos aviões”. Em decorrência de todo o desenvolvimento tecnológico existente, “o avião transformou-se em um meio muito eficiente para o transporte de passageiros e mercadorias. O transporte aéreo promove as atividades de produção, auxilia o progresso, aumenta o intercâmbio comercial, entre outros fatores” (BARROS e SANTOS, 2007, p.33). O modal aéreo é fundamental para a entrada, movimentação e saída de agentes sócio–político–econômicos– tecnológicos modernos. É constituído por diversos agentes, fatores e atividades, como os fabricantes das aeronaves e de motores aeronáuticos, companhia aéreas, aeroportos e seus operadores, distribuidoras de combustíveis, empresas de Catering2 e de Hadling3, agentes de viagens e de carga, sistemas de reserva por comprador (CRS), etc. Para o transporte aéreo crescer é necessário que todas essas atividades cresçam. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT (2010), o modal aéreo participa da matriz de transporte de carga com 0,4% do total, com a operação de aeroportos que possuem terminais de processamento de cargas aéreas.

4 MERCADO DE CARGA AÉREA

O mercado de carga hoje no Brasil está aquecido, como tendência internacional. Devido aos altos custos operacionais da movimentação de carga via aviões, as empresas que optam pelo mercado de carga área são, em esmagadora maioria, aquelas que lidam com produtos manufaturados de alto valor agregado. Dessa forma, considerando o valor total de mercadorias movimentadas, a participação do modal aéreo cresce para 25%, tendo grande importância nos ramos de prestação de serviços e logística. Para os próximos anos, a previsão é de expansão no mercado de carga aérea no Brasil e no resto do planeta: o setor deve manter um crescimento acima de 6% ao ano nos próximos 20 anos. O volume de carga pela via aérea deve triplicar e a frota mundial de aeronaves cargueiras tende a dobrar de tamanho.

4.1 AEROPORTO E SUA INFRAESTRUTURA

Aeroporto por definição oficial é “todo aeródromo público dotado de instalações e facilidades para apoio de operações de aeronaves, embarque e desembarque de pessoas e cargas”. Os aeroportos modernos muitas vezes exigem projetos que tenham que acomodar tanto carga quanto operações de passageiros. Segundo Palhares e Espírito Santo Jr (1999), não se pode apenas enxergar os aeroportos como pontos de entrada e saída de passageiros ou mercadorias. Eles são infraestruturas que oferecem acessibilidade entre as sociedades mundiais, e possuem grande importância no desenvolvimento das economias. Conforme o “Informe Infraestrutura” do BNDS4, o aeroporto pode exercer a função de atendimento a demanda por transporte aéreo, mas em alguns casos notadamente em países de grandes dimensões com o Brasil, também exerce a função de apoio a operações aéreas em localidades onde o transporte aéreo assume características de serviço essencial apresentando-se como alternativa modal mais eficiente e adequada ou única. No código Brasileiro de Aeronáutica Lei 7.565 de 1986 no art. 26 define: “o sistema aeroportuário é constituído pelo conjunto de aeródromos brasileiros, com todas as pistas de pouso, pistas de táxi, pátio de estacionamento de aeronave, terminal de carga aérea, terminal de passageiros e as respectivas facilidades” (BRASIL, 1986, s.p). Já destacada a importância do transporte aéreo na economia e na logística, as características encontradas no modal aéreo, depende de vários fatores para uma perfeita execução dos serviços, um desses fatores é a infraestrutura encontrada nos aeroportos, que é de essencial importância. Segundo Keedi (2005, p.111):

O transporte aéreo utiliza-se de estruturas aeroportuárias para ser realizado, e estas precisam estar adequadas às suas operações, o que quer dizer aparelhados para receber aeronaves para carga e descarga. Dessa estrutura fazem parte também os terminais alfandegados para carga (Teca), separados em armazéns para mercadorias de importação e de exportação, e disponíveis para a guarda das cargas de importadores e exportadores.

Michael Porter (1993) citado por Marotta (2008 p.18), em seu livro “A vantagem Competitiva das Nações”, traz como foco a importância da infraestrutura para um país no que tange a vantagem competitiva. Para ele, o tipo, qualidade e valor de uso da infraestrutura disponível afeta a competição, inclusive o sistema de transporte. O enfoque na infraestrutura aeroportuária é de grande importância no transporte aéreo, apesar do alto custo encontrado nesse modal, configuram-se as vantagens encontradas primeiramente pela infraestrutura encontrada no aeroporto pode influenciar o transit time5, com isso assume papel fundamental no modal aéreo pois são por elas que são recebidas, operacionalizadas, armazenadas, liberadas e despachadas as cargas e todas a mercadorias transportadas, podendo ter um grande impacto se houver alguma falha nesse processo. O transporte aéreo de mercadorias como estratégia de concorrência empresarial depende, por um lado, dos centros cargueiros aeroportuários porque oferecem infraestrutura na terra para as operações de embarque e desembarque, pouso e decolagem de aeronaves. Por outro, depende das cidades onde estão localizados os centros cargueiros aeroportuários, pois o transporte aéreo necessita do apoio de outros modais de transporte como rodoviário, ferroviário ou fluvial para completar suas atividades. Segundo Fleury et al (2000, p.127), “um dos principais pilares da logística moderna é o conceito de logística integrada, fazendo com que as atividades e funções logísticas deixem de ser isoladas e passem a ser percebidas como um componente operacional”. De acordo com Kaufmann (2009 p.127):

[…] as companhias aéreas necessitam do apoio da infraestrutura aeroportuária oferecida pelos aeroportos para completar os serviços de transporte de passageiros e mercadorias como, por exemplo, sistemas de auxílio e controle de navegação aérea, alocação de slots (espaço físico da pista para pousos e decolagens de aeronaves), portões de embarque e desembarque em aeroportos e galpões para manutenção de aeronaves, entre outros.

A infraestrutura aeroportuária brasileira é composta por 2.014 aeródromos civis (715 públicos e 1.299 privados utilizados com permissão do proprietário), sendo, no entanto, proibida a exploração comercial. Conta ainda com 83 Grupamentos e Estações de Navegação Aéreas espalhados pelo Brasil, além de 703 aeroportos públicos, dos quais 66 são administrados pela Infraero e 235 são administrados por meio de convênio entre o Comando da Aeronáutica, Estados e Municípios. Os aeroportos administrados pela Infraero concentram 97% de toda a movimentação de passageiros e 99% do transporte de mercadorias aéreas regulares no país (INFRAERO, 2012). Em alguns aeroportos brasileiros determinados pela Infraero existem Terminais de Carga Aérea (Teca) que oferecem serviços regulares para as companhias aéreas cargueiras. Os recursos financeiros da Infraero são oriundos da administração de 66 aeroportos, 34 Terminais de Cargas Aéreas e 83 Grupamentos e Estações de Navegação Aéreas espalhadas pelo Brasil, por meio da cobrança de tarifas aeroportuárias e tarifas comerciais ou não aeroportuárias. Conforme dados da Infraero (2012), as tarifas aeroportuárias referem-se à realização do transporte aéreo e são relativas ao tráfego aéreo internacional; ao embarque e desembarque de passageiros para tráfego aéreo doméstico; ao pouso e estacionamento da aeronave; à permanência de aeronaves estacionadas fora do pátio de manobras do aeroporto; à armazenagem e capatazia pela utilização dos serviços de guarda, manuseio, movimentação e controle de mercadorias nos terminais de cargas aéreas dos aeroportos; ao uso das comunicações e dos auxílios à navegação aérea; e ao uso das comunicações e dos auxílios de rádio e nas áreas de tráfego aéreo. Ainda, as tarifas comerciais ou não-aeroportuárias são aquelas geradas pelo arrendamento de instalações ou equipamentos, concessões de serviços privados, aluguel de espaços físicos nos aeroportos para instalação de escritórios, lojas, empresas, propagandas, entre outras. Por esta razão, o transporte aéreo ainda se mostra um modal de elevado custo e apesar de ser célere não é acessível a todo e qualquer tipo de produto.

4.2 VANTAGENS E DESVANTAGENS DO TRANSPORTE DE CARGA AÉREO

Talvez a maior vantagem que possa ser atribuída ao transporte aéreo é que este é célere e não possui barreiras físicas como ocorre em outros modais de transporte. Os limites políticos também são imateriais, embora tenha que observar os requisitos do Direito Internacional (KAUFMANN, 2009). Embora seja o modo de transporte mais rápido, o custo de sua operação é muito alto e, portanto, é adequado para apenas para cargas leves e dispendiosas. Alimentos que perecem rapidamente, flores e itens frágeis também se encaixam dentre os produtos que requerem o transporte aéreo. No entanto, em países mais desenvolvidos como os EUA e a Alemanha, etc., o transporte aéreo concorre com as ferrovias no transporte de cargas (IPEA, 2010). Outras vantagens que podem ser citadas é que este modal fornece um serviço regular, confortável, eficiente e rápido. Não requer grandes investimentos de capital na construção e manutenção de trilhos de superfície. Também, segue a rota mais curta e direta e pode ser usado para transportar cargas para as áreas que não são acessíveis por outros meios de transporte (KAUFMANN, 2009). Pode funcionar mesmo quando todos os outros meios de transporte não podem ser operados devido às inundações ou outras calamidades naturais. Assim, nessas ocasiões, é o único modal que pode ser empregado para fazer a entrega de cargas (MONTILHA, 2017). No transporte aéreo, as formalidades podem ser rapidamente cumpridas e, assim, evita-se o atraso em razão da obtenção da autorização. Segundo Kaufmann (2009), o transporte aéreo é o mais adequado para transportar mercadorias de natureza perecível que requerem entrega rápida e produtos leves de alto valor, como diamantes, lingotes etc. em longas distâncias. No Brasil, as principais cargas transportadas por este modal são: flores, itens agrícolas perecíveis, joias, itens de vestuários e flores (MONTILHA, 2007).

Apesar de muitas vantagens, o transporte aéreo tem as seguintes limitações. É o meio de transporte mais caro e sua capacidade de carga é muito pequena e, portanto, não é adequado para transportar mercadorias volumosas e de baixo valor e razão de sua capacidade limitada e elevados custos (IPEA, 2010). O transporte aéreo é incerto e pouco confiável, uma vez que é controlado em grande medida pelas condições climáticas. Clima desfavorável, como nevoeiro, neve ou chuva intensa, etc. pode causar cancelamento de voos programados e suspensão do serviço aéreo (MCKINSEY & COMPANY, 2010). As chances de quebras e acidentes são altas em comparação com outros modos de transporte. Portanto, isso envolve um risco comparativamente maior. Ademais exige grandes investimentos de capital na construção e manutenção de aviões e requer pessoas altamente capacitadas e especializadas para o serviço aéreo operacional (KAUFMANN, 2009). Assim, constata-se que o transporte aéreo não é adequado para transportar mercadorias baratas, volumosas e pesadas devido à sua capacidade limitada e alto custo e que a nível internacional, além das limitações já mencionadas, existem muitas restrições legais impostas por vários países no interesse da sua própria unidade nacional e paz.

4.3 PERSPECTIVAS E OPORTUNIDADES

Não obstante o transporte aéreo não se mostrar competitivo com relação aos modais rodoviários no Brasil, com a globalização, um número maior de empresas de segmentos diversos começaram a investir em internacionalização e a entrada dessas empresas no mercado externo tem fomentado o transporte aéreo no Brasil pois produtos que antes eram vendidos somente no mercado nacional passaram a ser exportados, a exemplo das flores e do grande número de empresas do segmento de vestuário. Isso tem feito com que as empresas aéreas invistam mais no transporte de carga aéreo conforme demonstra a figura 1 a seguir.

Pelo exposto percebe-se que a demanda pelo modal aéreo no transporte de carga tem crescido lentamente e com o fomento governamental ao comércio exterior, acredita-se que esse crescimento será mais significativo nos próximos anos.

5 CONCLUSÃO

Foi visto neste estudo que em países desenvolvidos, o transporte aéreo, por ser mais estruturado, concorre com o transporte ferroviário, no entanto, no Brasil, esse modal não se adequa à grande maioria de tipos de cargas. Em operações internacionais, o frete pode representar quase a metade da receita de uma companhia aérea regular. Normalmente, a carga aérea é composta por mercadorias valiosas ou perecíveis, levadas a longas distâncias. A carga aérea também tem um nicho de mercado para situações de emergência em que a entrega rápida de suprimentos prevalece sobre questões de custo. Decerto este é o modal que melhor atende ao exportador, mas sua capacidade é limitada e por isso, os modais empregados com maior frequência são o rodoviário e o marítimo. Assim, conclui-se que a escolha do modal empregado no transporte de cargas depende do tipo de carga que será transportada, seu valor e a urgência que se tem para

que ela chegue ao seu destino. O transporte aéreo se mostra viável no transporte de alguns produtos, mas não se mostra viável no transporte da grande maioria. No entanto, acredita-se que apesar das limitações que este modal possui, em razão da internacionalização de empresas que tem ocorrido em larga escala, o setor tem perspectiva de crescer nos próximos anos, já que a economia está mais estável e assim, mais empresas voltaram a exportar.

REFERÊNCIAS

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Bacharel em Aviação Civil pela UNICESP em Brasília; MBA em Gestão Aeroportuária; Pós-graduação em Segurança de Voo e Aeronavegabilidade pelo ITA; Cursos de Sistema de Gerenciamento da Segurança Operacional SGSO pela ANAC; Perito Judicial Aeronáutico pelo Instituto J.B. Oliveira; Performance Bearing Navigation PBN pela ANAC; Pós-graduação em Gestão e especialização em Direito Aeronáutico pela UNISUL; Mestrando em Segurança de voo e Aeronavegabilidade pelo ITA.